sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Corrida de São Silvestre - 31 de Dezembro


Amanhã, dia 31 de dezembro, ocorre a 87ª edição da Corrida de São Silvestre.

A corrida tem esse nome porque acontece no dia 31 de dezembro, data em que a igreja católica celebra o dia de São Silvestre.

São Silvestre nasceu em Roma e foi Papa da Igreja Católica entre os anos de 314 e 355. Ele morreu em um dia 31 de dezembro e, anos mais tarde, foi também em um 31 de dezembro que a Igreja Católica o canonizou.

A corrida, de 15km, é realizada anualmente desde 1924. Trata-se de um dos poucos eventos que aconteceram ininterruptamente, mesmo durante a Segunda Guerra Mundial, quando boa parte dos eventos esportivos foi suspensa.

A Corrida de São Silvestre foi idealizada pelo jornalista e empresário Cásper Líbero. Em 1918, aos 29 anos, depois de ter trabalhado em outros veículos de comunicação, ele se tornou diretor e proprietário do jornal A Gazeta, modernizando-o e fazendo dele um dos maiores órgãos de imprensa da época. Foi, por exemplo, o primeiro periódico brasileiro a ter cores na impressão.

Daí que nos anos 20, após assistir e se encantar com uma corrida de rua de Paris, o jornalista teve a ideia de organizar uma semelhante aqui em São Paulo, como meio de promoção e divulgação de seu jornal. Nascia assim a São Silvestre.

O primeiro vencedor da prova chamava-se Alfredo Gomes e era um atleta do clube Espéria. Nos primeiros anos, aliás, a prova não acontecia no período da tarde como agora. Começava meia-noite, ou seja, a São Silvestre era o evento da virada do ano, o evento do réveillon.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

6 DE DEZEMBRO - DIA DE SÃO NICOLAU


Das tradições natalinas, uma das que mais gosto é a do Dia de São Nicolau.

Quando meus filhos eram pequenos, dia 6 de dezembro montávamos a árvore de Natal, enfeitávamos a casa e colocávamos as meias penduradinhas, onde eram colocadas as cartinhas para Papai Noel. São Nicolau vinha buscá-las, e deixava nas meias doces e guloseimas em geral.

São Nicolau é um santo muito amado pelos cristãos e alvo de inúmeras lendas. Nicolau realmente existiu e foi um bispo em Mira, atual Turquia. Filho de pais ricos com profunda vida de oração, nasceu Nicolau no ano 275 em Pátara, na Ásia Menor.

Tornou-se sacerdote da diocese de Mira, onde com amor evangelizou os pagãos, mesmo no clima de perseguição que os cristãos viviam.

São Nicolau é conhecido principalmente para com os pobres, já que ao receber por herança uma grande quantia de dinheiro, livremente partilhou com os necessitados. Daí que nos países do Norte da Europa, usando da fantasia, viram em Nicolau o velho de barbas brancas que levava presentes às crianças no mês de dezembro.


Sagrado Bispo de Mira, Nicolau conquistou a todos com sua caridade, zelo, espírito de oração, e carisma de milagres. Historiadores relatam que ao ser preso, por causa da perseguição dos cristãos, Nicolau foi torturado e condenado a morte, mas felizmente se salvou em 313, pois foi publicado o edito de Milão que concedia a liberdade religiosa.


São Nicolau participou do Concilio de Nicéia, onde Jesus foi declarado consubstancial ao Pai. Entrou Nicolau no Céu em 324 ao morrer em Mira com fama de santidade e de instrumento de Deus para que muitos milagres chegassem ao povo.


As histórias que falam sobre ele dão conta de sua bondade e generosidade. Seguem algumas para explicar a doçura do dia 6 de dezembro.


A primeira fala do que Nicolau fez quando soube que em uma cidade no ocidente as pessoas estavam passando fome. Ele reuniu nozes, maçãs, frutas secas e grãos de trigo. Para ajudar, as mulheres da cidade fizeram pães de mel. Encheram um navio e mandaram para a tal cidade. A embarcação demorou muito para chegar e aportou no seu destino apenas à noite, quando todos dormiam. Então os tripulantes dividiram os alimentos e deixaram nas portas das casas. Depois foram embora.

Outra história conta que um viúvo tinha três filhas e estava passando por grandes necessidades. Seu sofrimento era saber que não tinha dote e que não poderia casar as meninas. São Nicolau, então, juntou um saquinho de moedas de ouro e jogou à noite pela janela. O saquinho foi cair dentro de um sapato e o viúvo conseguiu casar a primeira filha. A história se repetiu mais duas vezes e todas foram casadas, graças aos presentes dos sapatinhos.


Dessas duas lendas vem a tradição do "sapatinho na janela" - sim, aquele que inspirou a música!!!






Então, vamos todos escrever nossas cartinhas hoje??

sábado, 7 de maio de 2011

A vida não dá duas safras

“A gente só começa a viver de verdade no dia em que descobre que a vida não vai durar para sempre. Talvez você esteja aí do outro lado pensando que eu disse uma tolice, pois é claro que todo mundo sabe que vai morrer!

Na verdade, com o festival de chacinas que se assiste diariamente nos telejornais, com gente morrendo por todos os lados, era mesmo de se esperar que todo mundo já soubesse que também pode e vai morrer. A qualquer momento.

Infelizmente não é assim. Morrer continua a ser uma idéia vaga e absurda para a maioria das pessoas. Algo que só se vê, de verdade, nos telejornais e em lugares muito distantes. Na vida real, só ocorre mesmo com o vizinho… De preferência, com os mais chatos. Com a gente, nunca! Vivemos como se todos nós tivéssemos sido hipnotizados por um mago para acreditarmos que vamos durar para sempre.

Por isso a gente adia tanto, tudo, o tempo inteiro. O projeto de ser feliz, a mudança de emprego, de cara, de cidade, de par amoroso. Deixa para uma hora mais propícia, menos problemática, mais oportuna e menos inadequada. Sempre para daqui a algum tempo, quando a gente tiver mais dinheiro, quando a gente se aposentar, quando os filhos crescerem, quando tivermos uma folga, quando a economia se normalizar.

Antes de mais nada, é preciso sobreviver, ganhar dinheiro, fazer sucesso – pensa a maioria. A vida mesmo vai ficando para depois, quando todas essas coisas tão mais importantes já estiverem equacionadas e resolvidas. O problema é que vida não entende essa linguagem de adiamento. “Oportuno” e “adequado” são palavras sem nenhum significado para o ritmo da vida. Vida é como sorvete debaixo de sol quente: – ou você toma na hora ou vai ficar chupando dedo. Vida é um negócio de “aqui” e “agora”, de extrema premência e necessidade.

Eu sempre achei muito engraçado as pessoas usarem esse verbo “sobreviver” em lugar de “viver”. Sobreviver significa continuar a viver depois que aconteceu algum sinistro grave, como um incêndio de grandes proporções ou a queda de um avião. Constatado que a pessoa não tem nenhuma ocorrência deste tipo em seu prontuário, conclui-se que a tragédia, da qual ela escapou ilesa (e porisso está condenada a viver) foi ter nascido…

A maior tragédia que pode acontecer a alguém é passar pela vida sem viver. Nenhuma justificativa justifica perder a chance de estar vivo, de existir, de experimentar cada momento – escasso e passageiro – que se tem neste mundo. Nem um grande negócio. Nem todo o dinheiro do mundo. Nem um sucesso de arrebentar a boca do balão. Viver a vida é o item básico na cesta básica de qualquer pessoa.

Pra encurtar conversa, já que essa ladainha pode ir muito longe: com a vida é assim, ou você faz agora, já, com os recursos que tem, ou esquece.”

por Geraldo Souza

domingo, 24 de abril de 2011

A fita métrica do amor


Como se mede uma pessoa? Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento. Ela é enorme pra você quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravado. É pequena pra você quando só pensa em si mesmo, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade.

Uma pessoa é gigante pra você quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto. É pequena quando desvia do assunto.

Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma. Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês.

Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas: será ela que mudou ou será que o amor é traiçoeiro nas suas medições? Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande. Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.

É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações. Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma. O egoísmo unifica os insignificantes.

Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande. É a sua sensibilidade sem tamanho.

Martha Medeiros

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O que eu desejo a você...




Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.

Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,

Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar

Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.

(Original de Victor Hugo adaptado por Vinícius de Morais)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A Despedida do Amor



Existem duas dores de amor:

A primeira é quando a relação termina e a gente, seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro, com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva, já que ainda estamos tão embrulhados na dor que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.

A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços, a dor de virar desimportante para o ser amado. Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida: a dor de abandonar o amor que sentíamos. A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também...

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou. Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém. É que, sem se darem conta, não querem se desprender. Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir, lembrança de uma época bonita que foi vivida... Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual a gente se apega. Faz parte de nós. Queremos, lógicamente, voltar a ser alegres e disponíveis, mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo, que de certa maneira entranhou-se na gente, e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível. Talvez, por isso, costuma durar mais do que a "dor-de-cotovelo" propriamente dita. É uma dor que nos confunde. Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos, que nos colocava dentro das estatísticas: "Eu amo, logo existo".

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente...

E só então a gente poderá amar, de novo.


Martha Medeiros

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

PRIMAVERA








A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.


Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.

sábado, 4 de setembro de 2010

Por que você ama quem você ama?


Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não-fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo à porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece a razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Então que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não tem a maior vocação para príncipe encantado, e ainda assim você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita de boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara? Não pergunte para mim.

Você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem o seu valor. É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar (ou quase). Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém. Com um currículo desse, criatura, por que diabo está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos tem às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito do amor da sua vida!


( Martha Medeiros
)

terça-feira, 22 de junho de 2010

Amor à distância


Distâncias...as circunstâncias podem variar, ora é o MBA dela, ora o trabalho dele, ora o sonho dela, ora a oportunidade dele...eles se encontram na web, pelo telefone, no meio do caminho...sim, os jeitos, as cores, os tons mudam, mas cada vez mais casais estão tentando viver seu amor à distância e, sem ser bom nem ruim, isso, é, no entanto, um tremendo desafio...

De uns anos para cá, o número de mulheres envolvidas em relações à distância só faz aumentar. Hoje, segundo a revista Pink, dois milhões de mulheres americanas vivem relações deste tipo, sendo que a metade delas é casada.

Nem faz tanto tempo assim, há, digamos, 20 anos, a cena clássica seria: ela ali, de pé, no portão de embarque, despedindo-se dele que parte em busca da promoção em outra cidade ou do mestrado em outro país. Um dia, com certeza, ele viria buscá-la, montado num cavalo branco e lá iria a moça alegremente cumprir seu destino feminino e acompanhá-lo rumo ao final feliz e “até que a morte nos separe”...O que foi mesmo que aconteceu?

Nós mudamos, e muito...junto com os sutiãs das primeiras feministas e junto com as infindáveis regras e convenções que pautavam a vida dos nossos pais e avós, resolvemos jogar fora também as respostas fáceis, os caminhos já trilhados, as certezas...

Nem é o caso de discutir se tínhamos ou não nos dado conta de que afinal certezas podem ser bem confortáveis, a gente nem precisa pensar muito, tudo está aí dado, a nós cabe apenas cumprir o papel que nos foi designado ao nascer...sociedades e culturas tradicionais funcionam assim, à base de “sempre foi deste jeito”, “é assim que deve ser”, “nós sempre nos comportamos desta forma”, “é assim que fazemos, desde o início dos tempos”.... quando a gente está mergulhado nas crenças coletivas assim de um jeito tão poderoso, as vidas individuais vêm com manual de instruções e todo mundo sempre sabe o que fazer, é como uma dança de roda, dança de todos, com passos marcados pela eternidade e a tradição...

Mudamos, sim, mandamos as regras para o espaço e assim, despidas, “sem lenço nem documento”, feito na música, nos lançamos de cabeça na construção de novas formas de amar. Afinal, por que não? É claro, precisamos ampliar algumas fantasias – dividir uma casinha com jardim é mesmo tãããõ romântico, mas encontros com data marcada, quartos de hotel ou longos e-mails ajudam a criar um clima de aventura que faz muito bem obrigada para qualquer relação amorosa... também há que se munir de coragem para improvisar, de toneladas de tolerância e de um jeito novo de entender as razões do outro, adeus papéis, vamos reinventar tudo!

Sobretudo, é bom abrir mão de frases feitas como “ciúme é alimento do amor”, “mulher é isso, homem é aquilo”, “família tem que ser assim ou assado”, na hora H, importante mesmo é conseguir relativizar a ansiedade em relação ao tempo, fazer cada minuto contar por muitos e construir a intimidade da forma possível.

Segundo Gregory Guldner, terapeuta e autor do livro Long Distance Relationships: a complete guide, o grande desafio dos casais que não moram na mesma cidade é esse mesmo: intimidade. Veja os conselhos que ele dá para quem mora longe e, mesmo assim quer ousar viver um grande amor:

Seja otimista. Os estudos mostram que as chances da relação dar certo são mais ou menos as mesmas, de perto ou de longe e os números relacionados à infidelidade também são os mesmos, na prática, isso quer dizer: não acredite quando lhe disserem que “isso nunca vai funcionar”, funciona sim, depende de vocês, mas qualquer relação não depende de nós?

Compartilhe as pequenas coisas. Muitas vezes a gente acha que de longe, só os “grandes temas” merecem ser discutidos. Errado. A intimidade nasce das miudezas do cotidiano. O que você comeu no almoço, o outdoor que viu na rua, o gosto da nova marca de café, tudo isso ajuda a criar e a preservar os vínculos...

Use a abuse da tecnologia. Em tempos de Skype, IM, fotos digitais pra lá e para cá, blogs e fotologs não dá para reclamar de falta de oportunidade de estar “em contato”. As pesquisas do dr. Guldner indicam que casais que se escrevem muito têm mais chances de permanecer “ligados”...

Mas cuidado com as armadilhas da voz. Eventualmente, mesmo casais que vivem longe um do outro vão brigar. Nesta hora, lembrem-se que pelo telefone é mais difícil resolver diferenças e as discussões podem terminar numa espécie de “vácuo” de comunicação. Vale aqui o que vale para todos os casais criem regras para as conversas “sérias”, sejam bem específicos quanto aos combinados e exercitem a tolerância: vale ou não convidar alguém do sexo oposto para jantar? E ir ao cinema? Ter medo de conversar sobre assuntos “ameaçadores” para a relação, como os limites para a infidelidade, por exemplo, pode ser desastroso. O dr. Guldner adverte que 30% dos casais que colocaram na pauta de discussões as regras fundamentais tiveram problemas, mas 70% dos casais que evitaram estas conversas acabaram se afastando.

Não se isole. Solidão não faz bem e ponto. É justamente nestes momentos que os amigos são mais preciosos. Ninguém quer sair? Vá sozinha, invente pretextos, um curso de culinária tailandesa, trabalhar algumas horas por semana numa creche, assistir todos os filmes que vão concorrer ao Oscar, enfim....tudo vira motivo de conversa entre vocês e, além disso, ajuda a exorcizar aquelas idéias malvadas que a gente tem quando está com saudades...

Adilia Belotti

quarta-feira, 5 de maio de 2010

As duas pulgas



Duas pulgas diretoras estavam conversando e então uma comentou com a outra:

-Sabe qual é o nosso problema? Nós não voamos, só sabemos saltar. Daí nossa chance de sobrevivência quando somos percebidas pelo cachorro é zero. É por isso que existem muito mais moscas do que pulgas.

Elas então decidiram contratar uma mosca para treinar todas as pulgas a voar e entraram num programa de treinamento de vôo e saíram voando. Passado algum tempo, a primeira pulga falou para a outra:

-Quer saber? Voar não é o suficiente, porque ficamos grudadas ao corpo do cachorro e nosso tempo de reação é bem menor do que a velocidade da coçada dele ele nos pega.

Temos de aprender a fazer como as abelhas, que sugam o néctar e levantam vôo rapidamente.

Elas então contrataram uma abelha para lhes ensinar a técnica do chega-suga-voa.. Funcionou, mas não resolveu.... A primeira pulga explicou por quê:

-Nossa bolsa para armazenar sangue é pequena, por isso temos de ficar muito tempo sugando. Escapar, a gente até escapa, mas não estamos nos alimentando direito. Temos de aprender como os pernilongos fazem para se alimentar com aquela rapidez.

E então um pernilongo lhes prestou treinamento para incrementar o tamanho do abdômen.. Resolvido, mas por poucos minutos.... Como tinham ficado maiores, a aproximação delas era facilmente percebida pelo cachorro, e elas eram espantadas antes mesmo de pousar. Foi aí que encontraram uma saltitante pulguinha, que lhes perguntou:

-Ué, vocês estão enormes! Fizeram plásticas?

-Não, entramos num longo programa de treinamento. Agora somos pulgas adaptadas aos desafios do século XXI. Voamos, picamos e podemos armazenar mais alimento.

-E por que é que estão com cara de famintas?

-Isso é temporário. Já estamos fazendo treinamento com um morcego, que vai nos ensinar a técnica do radar de modo a perceber, com antecedência, a vinda da pata do cachorro. E você?

-Ah, eu vou bem, obrigada. Forte e sadia.

Mas as pulgonas não quiseram dar a pata a torcer, e perguntaram à pulguinha:

-Mas você não está preocupada com o futuro? Não pensou em um programa de treinamento, em uma reengenharia?

-Quem disse que não? Contratei uma lesma como consultora.

-Mas o que as lesmas têm a ver com pulgas, quiseram saber as pulgonas...

-Tudo. Eu tinha o mesmo problema que vocês duas. Mas, em vez de dizer para a lesma o que eu queria, deixei que ela avaliasse a situação e me sugerisse a melhor solução. E ela passou três dias ali, quietinha, só observando o cachorro e então ela me disse: "Não mude nada. Apenas sente na nuca do cachorro. É o único lugar que a pata dele não alcança"..


MORAL DA HISTÓRIA:

Você não deve focar no problema e sim na solução. Para ser mais eficiente é necessário escutar e não falar...Muitas vezes, a GRANDE MUDANÇA é uma simples questão de reposicionamento.

MAX GEHRINGER

sábado, 17 de abril de 2010

Relacionamentos




Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim. Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa:

- 'Ah, terminei o namoro... '
- 'Nossa, quanto tempo?'
- 'Cinco anos... Mas não deu certo... Acabou'
- É não deu...?

Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.

E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.

Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.

Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?

E não temos esta coisa completa.

Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama.

Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.

Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.

Às vezes ela é malhada, mas não é sensível.

Tudo nós não temos.

Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.

Pele é um bicho traiçoeiro.

Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.

E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...

Acho que o beijo é importante... E se o beijo bate... Se joga... Se não bate... Mais um Martini, por favor... E vá dar uma volta.

Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra.

O outro tem o direito de não te querer.

Não lute, não ligue, não dê pití.

Se a pessoa ta com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não.

Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.

O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta.

Nada de drama.

Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro,
recessão de família?

O legal é alguém que está com você por você.

E vice versa.

Não fique com alguém por dó também.

Ou por medo da solidão.

Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.

E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.

Tem gente que pula de um romance para o outro.

Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?

Gostar dói.

Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração.

Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo.

E nem sempre as coisas saem como você quer...

A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.

Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta.

Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.

Na vida e no amor, não temos garantias.

E nem todo sexo bom é para namorar.

Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.

Nem todo beijo é para romancear.

Nem todo sexo bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar.

Enfim... Quem disse que seria fácil?

Arnaldo Jabor

domingo, 25 de outubro de 2009

Fechando círculos


"É preciso saber sempre quando se acaba uma etapa da vida.

Se insistirmos em permanecer nela, depois do tempo necessário, perderemos a alegria e o sentido do resto.

Fechando círculos, fechando portas ou fechando capítulos,como queiram chamar, o importante é poder fechá-los,deixar ir momentos da vida que vão se enclausurando.

Terminou seu trabalho? Acabou a relação? Já não mora mais nessa casa? Deve viajar?

Você pode passar muito tempo do seu presente dando voltas ao passado, tentando modificá-lo...

O desgaste será infinito,porque na vida, você, seus amigos, filhos, irmãos,todos estamos destinados a fechar capítulos,virar páginas, terminar etapas ou momentos da vida,e seguir adiante.

Não podemos estar no presente sentindo falta do passado.O que aconteceu, aconteceu.Não podemos ser filhos para sempre, nem adolescentes eternos, nem empregados de empresas inexistentes,nem ter vínculos com quem não quer estar vinculado a nós.

Os acontecimentos passam e temos que deixá-los ir!

Por isso, às vezes é tão importante esquecer de lembrar,trocar de casa, rasgar papéis, jogar fora presentes desbotados, dar ou vender livros...

As mudanças externas podem simbolizar processos interiores de superação.Deixar ir, soltar, desprender-se...Na vida ninguém joga com cartas marcadas,e tem que aprender a perder e a ganhar.

O passado passou: não espere que o devolvam.Também não espere reconhecimento,ou que saibam quem você é.

A vida segue para frente, nunca para trás.Se você anda pela vida deixando portas abertas nunca poderá desprender-se, nem viver o hoje com satisfação.

Namoros ou amizades que não se fecham,possibilidades de regresso a quê?

Necessidade de esclarecimentos,palavras que não foram ditas, silêncios...

Se você pode enfrentá-los agora, que o faça!Não por orgulho ou soberba,mas porque você já não se encaixa ali,naquele lugar, naquele coração, naquela casa,naquele escritório, naquele cargo...

Você já não é o(a) mesmo(a) que foi há dois dias,há três anos, há uma década... portanto,nada tem que voltar.
Feche a porta, vire a página, feche o círculo!Você nunca será o mesmo,nem o mundo à sua volta, porque a vida não é estática.

É para sua saúde mental, é ter amor por você mesmo,desprender-se do que já não está em sua vida.

Lembre-se de que nada, nem ninguém, é indispensável.

É um trabalho pessoal aprender a viver com o que dói, deixar-se ir. É processo de aprender a desprender-se.E isso ajudará definitivamente a seguir para frente com tranquilidade.

Essa é a vida!"
desconheço a autoria

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Contrários


Só quem já provou a dor

Quem sofreu, se amargurou

Viu a cruz e a vida em tons reais


Quem no certo procurou


Mas no errado se perdeu

precisou saber recomeçar


Só quem já perdeu na vida sabe o que é ganhar


Porque encontrou na derrota o motivo para lutar


E assim viu no outono a primavera

Descobriu que é no conflito que a vida faz crescer


Que o verso tem reverso

Que o direito tem avesso

Que o de graça tem seu preço

Que a vida tem contrários

E a saudade é um lugar

Que só chega quem amou

E que o ódio é uma forma tão estranha de amar


Que o perto tem distâncias

E que esquerdo tem direito

Que a resposta tem pergunta

E o problema solução

E que o amor começa aqui

No contrário que há em mim

E a sombra só existe quando existe alguma luz.


Só quem soube duvidar

Pôde enfim acreditar

Viu sem ver e amou sem aprisionar


Quem no pouco se encontrou

Aprendeu multiplicar

Descobriu o dom de eternizar


Só quem perdoou na vida sabe o que é amar

Porque aprendeu que o amor só é amor

Se já provou alguma dor

E assim viu grandeza na miséria

Descobriu que é no limite

Que o amor pode nascer

Pe. Fábio de Melo

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Miss Imperfeita

'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes.

Sou a Miss Imperfeita, muito prazer.Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas!


E, entre uma coisa e outra, leio livros.Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic.


Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.Primeiro: a dizer NÃO.Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.


Culpa por nada, aliás.


Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.


Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.


Você não é Nossa Senhora.


Você é, humildemente, uma mulher. E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante.


Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.


É ter tempo.


Tempo para fazer nada. Tempo para fazer tudo. Tempo para dançar sozinha na sala. Tempo para bisbilhotar uma loja de discos. Tempo para sumir dois dias com seu amor.


Três dias.


Cinco dias!


Tempo para uma massagem. Tempo para ver a novela. Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza. Tempo para fazer um trabalho voluntário. Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.Tempo para conhecer outras pessoas. Voltar a estudar. Para engravidar. Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.


Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.


Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.


Existir, a que será que se destina?


Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.


A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada.Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.


Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo! Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que se lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir dessa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.


Desacelerar tem um custo.Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.


Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.


E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'.


Texto da Martha Medeiros publicado na Revista do O Globo.

domingo, 16 de agosto de 2009

A complicada arte de ver

Rubem Alves

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: “Acho que estou ficando louca”. Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. “Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas.

Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões… Agora, tudo o que vejo me causa espanto.”

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as “Odes Elementales”, de Pablo Neruda. Procurei a “Ode à Cebola” e lhe disse: “Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: ‘Rosa de água com escamas de cristal’. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta… Os poetas ensinam a ver”.

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

William Blake sabia disso e afirmou: “A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”. Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. “Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios”, escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada “satori”, a abertura do “terceiro olho”. Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: “Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram”.

Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, “seus olhos se abriram”. Vinícius de Moraes adota o mesmo mote em “Operário em Construção”: “De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa _garrafa, prato, facão_ era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção”.

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam… Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: “A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas”.

Por isso - porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver - eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar “olhos vagabundos”…


Rubem Alves, educador, escritor.
Publicado pela Folha on line em 26-10-2004.

sábado, 8 de agosto de 2009

FELIZ DIA DOS PAIS !!!



Dizem que o primeiro a comemorar o Dia dos Pais foi um jovem chamado Elmesu, na Babilônia, há mais de 4.000 anos. Ele teria esculpido em argila um cartão para seu pai.
Mas a instituição de uma data para comemorar esse dia todos os anos é bem mais recente...
Em 1909, a norte-americana Sonora Louise Smart Dodd queria um dia especial para homenagear o pai, William Smart, um veterano da guerra civil que ficou viúvo quando sua esposa teve o sexto bebê e que criou os seis filhos sozinho em uma fazenda no Estado de Washington. Foi olhando para trás, depois de adulta, que Dodd percebeu a força e generosidade do pai.
O primeiro Dia dos Pais foi comemorado em 19 de junho de 1910, em Spokane, Washington. A rosa foi escolhida como a flor oficial do evento. Os pais vivos deviam ser homenageados com rosas vermelhas e os falecidos com flores brancas.
Pouco tempo depois, a comemoração já havia se espalhado por outras cidades americanas. Em 1972, Richard Nixon proclamou oficialmente o terceiro domingo de junho como Dia dos Pais.
O pai brasileiro ganhou um dia especial a partir de 1953. A iniciativa partiu do jornal O Globo do Rio de Janeiro, que se propôs a incentivar a celebração em família, baseado nos sentimentos e costumes cristãos.
Primeiro, foi instituído o dia 16 de agosto, dia de São Joaquim. Mas, como o domingo era mais propício para as reuniões de família, a data foi transferida para o segundo domingo de agosto.
Em São Paulo, a data foi formalmente comemorada pela primeira vez em 1955, pelo grupo Emissoras Unidas, que reunia Folha de S. Paulo, TV Record, Rádio Pan-americana e a extinta Rádio São Paulo. O grupo organizou um grande show no antigo auditório da TV Record para marcar a data. Lá, foram premiados Natanael Domingos, o pai mais novo, de 16 anos; Silvio Ferrari, de 96 anos, como o pai mais velho; e Inácio da Silva Costa, de 67 anos, como o campeão em número de filhos, um total de 31.
As gravadoras lançaram quatro discos em homenagem aos pais. O maior sucesso foi o baião É Sempre Papai, com letra de Miguel Gustavo, interpretada por Jorge Veiga. O Dia dos Pais acabou contagiando todo o território brasileiro e até hoje é comemorado no segundo domingo de agosto.

Muitos países têm datas especiais para homenagear os pais. A Inglaterra e a Argentina também comemoram a data no terceiro domingo de junho. Na Itália e em Portugal, a homenagem acontece no Dia de São José, 19 de março. Na Austrália, é no segundo domingo de setembro. E na Rússia, no dia 23 de fevereiro.

domingo, 19 de julho de 2009

Quindins na portaria

Estava lendo o novo livro do Paulo Hecker Filho, Fidelidades, onde, numa de suas prosas poéticas, ele conta que, antigamente, deixava bilhetes, livros e quindins na portaria do prédio de Mário Quintana: "Para estar ao lado sem pesar com a presença". Há outras histórias e poemas interessantes no livro, mas me detive nesta frase porque não pesar aos outros com nossa presença é um raro estalo de sensibilidade.

Para a maioria das pessoas, isso que chamo de um raro estalo de sensibilidade tem outro nome: frescura.

Afinal, todo mundo gosta de carinho, todo mundo quer ser visitado, ninguém pesa com sua presença num mundo já tão individualista e solitário.

Ah, pesa. Até mesmo uma relação íntima exige certos cuidados.

Eu bato na porta antes de entrar no quarto das minhas filhas e na de meu próprio quarto, se sei que está ocupado.

Eu pergunto para minha mãe se ela está livre antes de prosseguir com uma conversa por telefone.

Eu não faço visitas inesperadas a ninguém, a não ser em caso de urgência, mas até minhas urgências tive a sorte de que fossem delicadas.

Pessoas não ficam sentadas em seus sofás aguardando a chegada do Messias, o que dirá a do vizinho.

Pessoas estão jantando.

Pessoas estão preocupadas.

Pessoas estão com o seu blusão preferido, aquele meio sujo e rasgado, que elas só usam quando ninguém está vendo.

Pessoas estão chorando.

Pessoas estão assistindo a seu programa de tevê favorito.

Pessoas estão se amando.

Avise que está a caminho.

Frescura, jura?

Então tá, frescura, que seja.

Adoro e-mails justamente porque são sempre bem-vindos, e posso retribuí-los, sabendo que nada interromperei do lado de lá.

Sem falar que encurtam o caminho para a intimidade.Dizemos pelo computador coisas que, face a face, seriam mais trabalhosas.

Por não ser ao vivo, perde o caráter afetivo?

Nem se discute que o encontro é sagrado.Mas é possível estar ao lado de quem a gente gosta por outros meios.

Quando leio um livro indicado por uma amiga, fico mais próxima dela.

Quando mando flores, vou junto com o cartão.

Já visitei um pequeno lugarejo só para sentir o impacto que uma pessoa querida havia sentido, anos antes. Também é estar junto.

Sendo assim, bilhetes, e-mails, livros e quindins na portaria não é distância: é só um outro tipo de abraço.

Martha Medeiros

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Amar bonito


Talvez seja tão simples, tolo e natural que você nunca tenha parado para pensar:
Aprendam a fazer bonito seu amor.
Ou fazer o seu amor ser ou ficar bonito.

Aprenda, apenas, a tão difícil arte de amar bonito.
Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender...

Tenho visto muito amor por aí.Amores mesmo: bravios, gigantescos, descomunais, profundos, sinceros, cheios de entrega, doação e dádiva.Mas esbarram na dificuldade de se tornar bonitos.Apenas isso: bonitos, belos ou embelezados, tratados com carinho, cuidado e atenção.

Amores levados com arte e ternura de mãos jardineiras.

Aí, esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais, de repente se percebem ameaçados e tão somente porque não sabem ser bonitos: cobram, exigem, rotinizam,descuidam, reclamam, deixam de compreender, necessitam mais do que oferecem, precisam mais do que atendem, enchem-se de razões.

Sim, de razões.Ter razão é o maior perigo no amor.Quem tem razão sempre se sente no direito (e o tem) de reivindicar, de exigir justiça, equidade, equiparação, sem atinar que o que está sem razão talvez passe por um momento de sua vida no qual não possa ter razão.

Nem queira!!!Ter razão é um perigo: em geral, enfeia um amor,pois é invocado com justiça, mas na hora errada.

Amar bonito é saber a hora de ter razão.

Ponha a mão na consciência. Você tem certeza de que está fazendo o seu amor bonito?De que está tirando do gesto, da ação, da reação, do olhar, da saudade, da alegria do encontro, da dor do desencontro a maior beleza possível?

Talvez não.

Cheio ou cheia de razões, você separa do amor apenas aquilo que é exigido por suas partes necessitadas, quando talvez dele devesse pouco esperar, para valorizar melhor tudo de bom que de vez em quando ele pode trazer.

Quem espera mais do que isso sofre e, sofrendo, deixa de amar bonito.Sofrendo, deixa de ser alegre, igual, irmão, criança.E sem soltar a criança, nenhum amor é bonito.

Não tema o romantismo. Derrube as cercas da opinião alheia.Faça coroas de margaridas e enfeite a cabeça de quem você ama.Saia cantando e olhe alegre.

Recomenda-se: encabulamentos, ser pego em flagrante gostando, não se cansar de olhar e olhar, não atrapalhar a convivência com teorizações, adiar sempre se possível com beijos 'aquela conversa importante que precisamos ter', arquivar, se possível, as reclamações pela pouca atenção recebida.Para quem ama, toda atenção é sempre pouca.

Quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda a atenção possível.

Quem ama bonito não gasta tempo dessa atenção cobrando a que deixou de ter.

Não teorize sobre o amor (deixe isso para nós, pobres escritores que vemos a vida como criança de nariz encostado na vitrine cheia de brinquedos dos nossos sonhos);não teorize sobre o amor, ame.Siga o destino dos sentimentos aqui e agora.Não tenha medo exatamente de tudo o que você teme, como:a sinceridade, abrir o coração, contar a verdade do tamanho do amor que sente;não dar certo e depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito).

Jogue pro alto todas as jogadas, estratagemas, golpes, espertezas, atitudes sabiamente eficazes (não é sábio ser sabido): seja apenas você no auge de sua emoção e carência, exatamente aquele você que a vida impede de ser.

Seja você cantando desafinado, mas todas as manhãs.Falando besteiras, mas criando sempre.Gaguejando flores.Sentindo o coração bater como no tempo do Natal infantil.Revivendo os caminhos que intuiu em criança.Sem medo de dizer eu quero, eu estou com vontade.

Deixe o seu amor ser a mais verdadeira expressão de tudo que você é.Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto.Não se preocupe mais com ele e suas definições.

Cuide agora da forma do amor: Cuide da voz.

Cuide da fala.

Cuide do cuidado.

Cuide de você.

Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder começar a tentar fazer o outro feliz.

Artur da Távola