sexta-feira, 17 de janeiro de 2014



Dos desejos novos…

Desejo desejos frescos, revigorados, restaurados dentro de uma esperança que faz cosquinha e arranca riso, que faz o riso virar lar.

Desejo abrir os frascos das vontades guardadas, das querências amassadas, das promessas vencidas e libertar tudo o que ainda aprisiona o que sinto.

Desejo um olhar novo todo dia, que não se canse mesmo quando os amanheceres não acordem uma manhã de sol. 

Desejo confiança nas voltas do mundo, desejo menos pessoas rasas e mais sentimentos profundos. 

Desejo saber-me também através dos outros, desejo completar-me através de mim, desejo tornar o sim uma visita frequente nas minhas decisões, as vestindo de consequências positivas.

Desejo permanecer intuitiva, continuar viva dentro de alguma poesia, de todas as músicas, de algumas ondas, de tantos amores, tornando minha realidade lúdica a cada respiração do tempo. 

Desejo colo do destino, cafuné que faz sonhar antes de dormir. 

Desejo encontros, encantos, embalos e qualquer movimento que facilite meu acesso à paz. 

Desejo mais mãos dadas e menos julgamento, mais riso frouxo e menos cobrança, mais passeios dentro da nossa criança para perceber-nos frágeis.
Desejo colecionar horizontes para entender o por do sol e assim, saber o valor de cada nova manhã.

Desejo que minhas escolhas dancem no ritmo da sorte e que meu norte não se distancie do caminho, acreditando nos atalhos do coração que me guiam rumo à direção que acolhi por dentro.

Desejo aceitar a falta de resposta para os assuntos que ainda não sei formular as perguntas. 

Desejo vagar dentro dos meus desejos, devagar, para percebê-los tão meus que já se solidificam dentro dos sonhos. 

Desejo que as decepções não cortem tanto e que se assim for, que todo o pranto se converta em lição bem bonita, que daria até pra fazer uma melodia.
Porque nada melhor que fazer ironia com a tristeza para diminuir o aperto das dúvidas da vida.

Desejo que, sempre que o silêncio for maior e o choro engasgar a garganta da alma, eu possa ter a serenidade de saber-me eu, resgatando de dentro a força que me habita e descansa, por vezes, em algum canto dormente do meu corpo. 

Desejo sabedoria para analisar corretamente os desvios, desejo um oceano inteiro e seus desafios e não somente costear as possibilidades mais valiosas que eu me deparar pela frente.

Desejo céu com cortina de estrelas pra iluminar mais os medos que acordam de noite. 

Desejo estar mais relaxada dentro de mim, sabendo-me normal dentro das minhas fraquezas. 

Desejo seguir vivendo assim, de maneira intensa que mais parece levar um mês dentro de um dia, que gosta de pescar nostalgia boa pra tornar lembrança presente de novo.

Desejo jogar a rede no mar para arrastar pra perto um tanto de afeto que estava afogado. 

Que estejamos abertos, que saibamos o alfabeto inteiro antes de pronunciar as palavras. 

Que estejamos atentos para saber perceber que dentro de um olhar inteiro, pode se pronunciar também tudo que não é dito. 

E desejo nunca perder esse meu jeito exagerado e até meio desajeitado de querer abraçar o mundo, de cuidar de todos, mesmo quando muitas vezes esqueça de mim. 

Desejo sinceramente um “novo ano novo”, onde possamos gentilmente abrir mão do “não” e saber-nos gratidão dentro da simplicidade de um sim...

Lilian Vereza

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

6 de janeiro: Dia de Reis

"A viagem dos Magos" (1894), Jacques-Joseph Tissot (1836-1902), pintor francês.


O Dia de Reis, segundo a tradição cristã seria aquele em que Jesus Cristo, recém-nascido, recebera a visita de "alguns magos do Oriente", denominados os  três Reis Magos, e que ocorrera no dia 6 de janeiro.

A data marca, para os católicos, o dia para a veneração aos Reis Magos, que a tradição surgida no século VIII converteu nos santos Belchior, Gaspar e Baltazar.  Nesta data, ainda, encerram-se para os católicos os festejos natalícios - sendo o dia em que são desarmados os presépios e por conseguinte são retirados todos os enfeites natalícios.

Os 3 magos são mencionados em apenas um dos quatro evangelhos, o de Mateus. Nos 12 versículos em que trata do assunto, Mateus não especifica o número deles. Sabe-se apenas que eram mais de um, porque a citação está no plural - e não há nenhuma menção de que eram reis.
 Evangelho de São Mateus:


“1. Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do oriente a Jerusalém.
“2. Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo.
“3. A esta notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele.
“4. Convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo e indagou deles onde havia de nascer o Cristo.
“5. Disseram-lhe: Em Belém, na Judéia, porque assim foi escrito pelo profeta:
“6. E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo(Miq 5,2).
“7. Herodes, então, chamou secretamente os magos e perguntou-lhes sobre a época exata em que o astro lhes tinha aparecido.
“8. E, enviando-os a Belém, disse: Ide e informai-vos bem a respeito do menino. Quando o tiverdes encontrado, comunicai-me, para que eu também vá adorá-lo.
“9. Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que e estrela, que tinham visto no oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou.
“10. A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria.
“11. Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra.
“12. Avisados em sonhos de não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho.” (São Mateus, cap. 2, 1ss)
"Não há evidência histórica da existência dessas pessoas", diz André Chevitaresse, professor de História Antiga da Universidade Federal do Rio de Janeiro. "São personagens criados pelo evangelista Mateus para simbolizar o reconhecimento de Jesus por todos os povos." 

De qualquer forma, a tradição permaneceu viva e foi apenas no século III que eles receberam o título de reis - provavelmente como uma maneira de confirmar a profecia contida no Salmo 72: "Todos os reis cairão diante dele". Cerca de 800 anos depois do nascimento de Jesus, eles ganharam nomes e locais de origem: Melchior, rei da Pérsia; Gaspar, rei da Índia; e Baltazar, rei da Arábia.

Em hebreu, esses nomes significavam "rei da luz" (melichior), "o branco" (gathaspa) e "senhor dos tesouros" (bithisarea). Quem hoje for visitar a catedral de Colônia, na Alemanha, será informado de que ali repousam os restos dos reis magos. 

De acordo com uma tradição medieval, os magos teriam se reencontrado quase 50 anos depois do primeiro Natal, em Sewa, uma cidade da Turquia, onde viriam a falecer. Mais tarde, seus corpos teriam sido levados para Milão, na Itália, onde permaneceram até o século 12, quando o imperador germânico Frederico dominou a cidade e trasladou as urnas mortuárias para Colônia. 

"Não sei quem está enterrado lá, mas com certeza não são eles", diz o teólogo Jaldemir Vitório, do Centro de Estudo Superiores da Companhia de Jesus, em Belo Horizonte. "Mas isso não diminui a beleza da simbologia do Evangelho de Mateus ao narrar o nascimento de Cristo." Afinal, devemos aos magos até a tradição de dar presentes no Natal. No ritual da antigüidade, ouro era o presente para um rei. Incenso, para um religioso. E mirra, para um profeta (a mirra era usada para embalsamar corpos e, simbolicamente, representava a mortalidade).

terça-feira, 23 de outubro de 2012

O tempo não cura tudo. Aliás, o tempo não cura nada, o tempo apenas tira o incurável do centro das atenções.

Martha Medeiros

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Simpatias de Santo Antonio




Na tradição popular, Santo Antonio é o casamenteiro. 

A devoção tem origem no século XII, graças à generosidade com que o frei presenteava as jovens sem dote para que elas pudessem se casar.

Segundo conta outra lenda, uma moça, cansada de rezar e esperar que o santo a ouvisse, atirou a sua imagem pela janela. A estatueta bateu na cabeça de um homem rico, que logo se apaixonou por ela. A partir desses "causos", Santo Antonio, festejado em 13 de junho, não teve mais descanso e, até hoje, recebe muitos pedidos. 


1- Sem o Menino Jesus:

Esta simpatia consiste em retirar o Menino Jesus que está nos braços de Santo Antonio e dizer ao santo que, se ele não arrumar um namorado para você, também não terá o pequeno de volta. Assim que conseguir um amor, devolva rapidamente a pequena imagem ao seu lugar.

2- Numa fria:

Olhe o Santo Antonio de pertinho e diga que, enquanto ele não lhe arrumar um namorado, ficará na geladeira. E depois ponha-o no congelador. Dizem que funciona depressinha!

3 - Fita azul:

Escreva o nome da pessoa amada em um metro de fita azul e amarre-a nos pés da imagem do santo até conseguir conquistá-la.

4 - Abrindo as portas:

Abra a porta da frente da casa para que Santo Antonio permita a entrada de alguém especial .

5 - Acendendo velas:

Acenda uma vela rosa em um pires com mel e peça aos anjos a chegada de seu amor.   

6 - Com nota de R$2,00

No dia 12 de junho, coloque uma nota de R$ 2 entre o estrado da sua cama e o colchão. No dia seguinte, ao sair de casa, dê a cédula ao primeiro mendigo que encontrar e pergunte seu nome. Pode ser que seu próximo amor tenha o mesmo nome dele. E você poderá verificar o tempo que vai demorar para conhecer essa pessoa, por meio da primeira vogal do nome do pedinte: A - dentro de um mês; E - em dois meses; I - em três meses; O - em quatro meses; e U - em cinco meses.

7 - Usando o pano branco:

Embrulhe num pano branco, três penas de pássaros, três pétalas de rosas e uma medalhinha de Santo Antonio e leve no bolso por dez dias. 

8 - Quartzo rosa:

Coloque um quartzo rosa dentro de um copo com água e deixe no relento. Depois, passe a água nos pulsos, nos joelhos e no coração.

9 - De cabeça para baixo:

Coloque a imagem de cabeça para baixo dentro de um copo contendo água ou cachaça. E prometa deixar o santinho nessa triste situação até encontrar seu amor. Também garantem, a resposta virá logo.

10 - Sem o Menino Jesus:

Esta simpatia consiste em retirar o Menino Jesus que está nos braços de Santo Antonio e dizer ao santo que, se ele não arrumar um namorado para você, também não terá o pequeno de volta. Assim que conseguir um amor, devolva rapidamente a pequena imagem ao seu lugar.

11 - Na vela:

Escreva com um palito de dentes seu nome e o da pessoa amada numa vela branca, depois passe a vela no mel e a acenda num pires branco.

12 - Debaixo da cama:

Coloque a imagem do santo debaixo da cama por três noites seguidas. 

13 - Banho:

Tome um banho de casca de maçã com uma colherada de mel.

14 - Flores:

Amarre um cravo e uma rosa com uma fita verde e dê 13 nós.

15 - Na calcinha:

Coe café em uma calcinha preta e dê a bebida para a pessoa amada.

16 - Agulhas:

No dia de Santo Antonio, 13 de junho, coloque duas agulhas iguais dentro de uma bacia com água contendo duas colheres de açúcar. Se no dia seguinte elas estiverem juntas, isso simboliza que o casamento está próximo.

17 - Três copos e aliança

Você utilizará três copos: um vazio, outro com água limpa e o terceiro contendo água com um punhado de terra (que representa dinheiro). Peça a alguém que vende seus olhos e coloque uma aliança em suas mãos, unidas como quem vai brincar de passa-anel. Em seguida, essa pessoa troca os copos de lugar e pergunta diante de um dos copos: "É neste que deseja soltar a aliança?" E continua, até você escolher em qual deixará a jóia. Se a aliança cair no copo vazio, indica que não encontrará alguém especial neste ano. No copo com água, conhecerá seu namorado ainda neste ano. E se for no copo com o punhado de terra, isto revela que em breve você conquistará uma pessoa madura e com posses.

 


13 de Junho - Dia de Santo Antonio

Santo Antonio, o santo casamenteiro

Um dos santos mais populares do Brasil, Antonio é famoso por conseguir maridos e namorados para suas devotas.

Conta a história que, durante a vida de frei Antonio em Portugal (1195 - 1231), ele se revelou um especialista na arte de reconciliar casais. Após sua morte, o que antes era uma habilidade se tornou um verdadeiro milagre: basta pedir ao santo, garantem as devotas, que logo o companheiro aparece!
 
Mas não é apenas a fama de casamenteiro que faz de Antonio um dos santos mais populares do Brasil. Aqui muitos fiéis também o reverenciam por ajudar a encontrar objetos perdidos e por ser o padroeiro dos pobres. No dia 13 de junho, as igrejas ficam lotadas de pessoas em busca do famoso "pão de Santo Antônio". O alimento bento, dizem, garante mesa farta o ano inteiro.

Ainda jovem, aos 15 anos de idade, Antonio de Pádua deixou o rico palácio em que vivia com seus pais para se tornar religioso. Aos 25, tornou-se franciscano, ordem conhecida pelo voto de pobreza e pela dedicação aos necessitados.

Estudioso e bastante inteligente, Antonio formou-se em teologia, tornando-se depois professor, e teve em Santo Agostinho, famoso filósofo da Igreja, seu principal mestre.

O tema de seus escritos é quase sempre a caridade, bandeira que carregou durante toda sua vida. "Assim como as velas puxam o navio, a compaixão puxa você a atender à necessidade do próximo", afirma em um dos textos.

 
Os biógrafos de Antonio dizem que ele era amante da natureza e do silêncio e que sempre procurava campos e jardins para meditar. Num desses momentos, o frei viu a figura do menino Jesus. Por conta disso, é sempre representado com ele nos braços.

Conta-se também que possuía grande magnetismo para atrair os animais. Em um de seus milagres mais famosos, Antonio chegou à cidade de Rimini, na Itália, para pregar, mas, não encontrando nenhum fiel, resolveu pregar aos peixes. Logo apareceram centenas deles saltitando na água.

Santo Antonio de Pádua, ou de Assis, como também é conhecido, morreu em 1231 e foi canonizado no dia 30 de maio de 1232 pelo papa Gregório IX. Em 1946, o papa Pio XII proclamou-o Doutor da Igreja, o que significa que contribuiu muito para a vivência e o conhecimento da fé cristã.

Oração dos namorados

"Santo Antônio, vós que sois invocado como protetor dos namorados, olhai por mim nesta fase importante da minha existência para que não se perturbe esse tempo bonito da minha vida com futilidades e sonhos sem consistência e para que eu o aproveite para um melhor e maior conhecimento daquele ser que Deus colocou ao meu lado, bem como ele também me conheça melhor. Assim, juntos, preparemos o nosso futuro, onde nos aguarda uma família que, com vossa proteção, será cheia de amor, de felicidade, mas, sobretudo, repleta da bênção de Deus. Santo Antônio, abençoai este nosso namoro, para que transcorra no amor, na pureza, na compreensão, na sinceridade e na aprovação de Deus. Amém."


quarta-feira, 6 de junho de 2012

Corpus Christi





Nesta quinta-feira, 07, a Igreja Católica, em todo o mundo, comemora o dia de Corpus Christi. Nome que vem do latim e significa “Corpo de Cristo”. 

A festa de Corpus Christi tem por objetivo celebrar solenemente o mistério da Eucaristia - o Sacramento do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo.

Acontece sempre em uma quinta-feira, em alusão à Quinta-feira Santa, quando se deu a instituição deste sacramento. Durante a última ceia de Jesus com seus apóstolos, Ele mandou que celebrassem Sua lembrança comendo o pão e bebendo o vinho que se transformariam em seu Corpo e Sangue. 


A celebração teve origem em 1243, em Liège, na Bélgica, no século XIII, quando a freira Juliana de Cornion teria tido visões de Cristo demonstrando-lhe desejo de que o mistério da Eucaristia fosse celebrado com destaque.

Em 1264, o Papa Urbano IV através da Bula Papal "Trasnsiturus de hoc mundo", estendeu a festa para toda a Igreja, pedindo a São Tomás de Aquino que preparasse as leituras e textos litúrgicos que, até hoje, são usados durante a celebração. Compôs o hino “Lauda Sion Salvatorem” (Louva, ó Sião, o Salvador), ainda hoje usado e cantado nas liturgias do dia pelos mais de 400 mil sacerdotes nos cinco continentes. 

A procissão com a Hóstia consagrada conduzida em um ostensório é datada de 1274. Foi na época barroca, contudo, que ela se tornou um grande cortejo de ação de graças.


 No Brasil, a festa passou a integrar o calendário religioso de Brasília, em 1961, quando uma pequena procissão saiu da Igreja de madeira de Santo Antônio e seguiu até a Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima. 

A tradição de enfeitar as ruas surgiu em Ouro Preto, cidade histórica do interior de Minas Gerais.

A celebração de Corpus Christi consta de uma missa, procissão e adoração ao Santíssimo Sacramento.

A procissão lembra a caminhada do povo de Deus, que é peregrino, em busca da Terra Prometida. No Antigo Testamento esse povo foi alimentado com maná, no deserto. Hoje, ele é alimentado com o próprio Corpo de Cristo.

Durante a Missa o celebrante consagra duas hóstias: uma é consumida e a outra, apresentada aos fiéis para adoração. Essa hóstia permanece no meio da comunidade, como sinal da presença de Cristo vivo no coração de sua Igreja.



sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Corrida de São Silvestre - 31 de Dezembro


Amanhã, dia 31 de dezembro, ocorre a 87ª edição da Corrida de São Silvestre.

A corrida tem esse nome porque acontece no dia 31 de dezembro, data em que a igreja católica celebra o dia de São Silvestre.

São Silvestre nasceu em Roma e foi Papa da Igreja Católica entre os anos de 314 e 355. Ele morreu em um dia 31 de dezembro e, anos mais tarde, foi também em um 31 de dezembro que a Igreja Católica o canonizou.

A corrida, de 15km, é realizada anualmente desde 1924. Trata-se de um dos poucos eventos que aconteceram ininterruptamente, mesmo durante a Segunda Guerra Mundial, quando boa parte dos eventos esportivos foi suspensa.

A Corrida de São Silvestre foi idealizada pelo jornalista e empresário Cásper Líbero. Em 1918, aos 29 anos, depois de ter trabalhado em outros veículos de comunicação, ele se tornou diretor e proprietário do jornal A Gazeta, modernizando-o e fazendo dele um dos maiores órgãos de imprensa da época. Foi, por exemplo, o primeiro periódico brasileiro a ter cores na impressão.

Daí que nos anos 20, após assistir e se encantar com uma corrida de rua de Paris, o jornalista teve a ideia de organizar uma semelhante aqui em São Paulo, como meio de promoção e divulgação de seu jornal. Nascia assim a São Silvestre.

O primeiro vencedor da prova chamava-se Alfredo Gomes e era um atleta do clube Espéria. Nos primeiros anos, aliás, a prova não acontecia no período da tarde como agora. Começava meia-noite, ou seja, a São Silvestre era o evento da virada do ano, o evento do réveillon.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

6 DE DEZEMBRO - DIA DE SÃO NICOLAU


Das tradições natalinas, uma das que mais gosto é a do Dia de São Nicolau.

Quando meus filhos eram pequenos, dia 6 de dezembro montávamos a árvore de Natal, enfeitávamos a casa e colocávamos as meias penduradinhas, onde eram colocadas as cartinhas para Papai Noel. São Nicolau vinha buscá-las, e deixava nas meias doces e guloseimas em geral.

São Nicolau é um santo muito amado pelos cristãos e alvo de inúmeras lendas. Nicolau realmente existiu e foi um bispo em Mira, atual Turquia. Filho de pais ricos com profunda vida de oração, nasceu Nicolau no ano 275 em Pátara, na Ásia Menor.

Tornou-se sacerdote da diocese de Mira, onde com amor evangelizou os pagãos, mesmo no clima de perseguição que os cristãos viviam.

São Nicolau é conhecido principalmente para com os pobres, já que ao receber por herança uma grande quantia de dinheiro, livremente partilhou com os necessitados. Daí que nos países do Norte da Europa, usando da fantasia, viram em Nicolau o velho de barbas brancas que levava presentes às crianças no mês de dezembro.


Sagrado Bispo de Mira, Nicolau conquistou a todos com sua caridade, zelo, espírito de oração, e carisma de milagres. Historiadores relatam que ao ser preso, por causa da perseguição dos cristãos, Nicolau foi torturado e condenado a morte, mas felizmente se salvou em 313, pois foi publicado o edito de Milão que concedia a liberdade religiosa.


São Nicolau participou do Concilio de Nicéia, onde Jesus foi declarado consubstancial ao Pai. Entrou Nicolau no Céu em 324 ao morrer em Mira com fama de santidade e de instrumento de Deus para que muitos milagres chegassem ao povo.


As histórias que falam sobre ele dão conta de sua bondade e generosidade. Seguem algumas para explicar a doçura do dia 6 de dezembro.


A primeira fala do que Nicolau fez quando soube que em uma cidade no ocidente as pessoas estavam passando fome. Ele reuniu nozes, maçãs, frutas secas e grãos de trigo. Para ajudar, as mulheres da cidade fizeram pães de mel. Encheram um navio e mandaram para a tal cidade. A embarcação demorou muito para chegar e aportou no seu destino apenas à noite, quando todos dormiam. Então os tripulantes dividiram os alimentos e deixaram nas portas das casas. Depois foram embora.

Outra história conta que um viúvo tinha três filhas e estava passando por grandes necessidades. Seu sofrimento era saber que não tinha dote e que não poderia casar as meninas. São Nicolau, então, juntou um saquinho de moedas de ouro e jogou à noite pela janela. O saquinho foi cair dentro de um sapato e o viúvo conseguiu casar a primeira filha. A história se repetiu mais duas vezes e todas foram casadas, graças aos presentes dos sapatinhos.


Dessas duas lendas vem a tradição do "sapatinho na janela" - sim, aquele que inspirou a música!!!






Então, vamos todos escrever nossas cartinhas hoje??

sábado, 7 de maio de 2011

A vida não dá duas safras

“A gente só começa a viver de verdade no dia em que descobre que a vida não vai durar para sempre. Talvez você esteja aí do outro lado pensando que eu disse uma tolice, pois é claro que todo mundo sabe que vai morrer!

Na verdade, com o festival de chacinas que se assiste diariamente nos telejornais, com gente morrendo por todos os lados, era mesmo de se esperar que todo mundo já soubesse que também pode e vai morrer. A qualquer momento.

Infelizmente não é assim. Morrer continua a ser uma idéia vaga e absurda para a maioria das pessoas. Algo que só se vê, de verdade, nos telejornais e em lugares muito distantes. Na vida real, só ocorre mesmo com o vizinho… De preferência, com os mais chatos. Com a gente, nunca! Vivemos como se todos nós tivéssemos sido hipnotizados por um mago para acreditarmos que vamos durar para sempre.

Por isso a gente adia tanto, tudo, o tempo inteiro. O projeto de ser feliz, a mudança de emprego, de cara, de cidade, de par amoroso. Deixa para uma hora mais propícia, menos problemática, mais oportuna e menos inadequada. Sempre para daqui a algum tempo, quando a gente tiver mais dinheiro, quando a gente se aposentar, quando os filhos crescerem, quando tivermos uma folga, quando a economia se normalizar.

Antes de mais nada, é preciso sobreviver, ganhar dinheiro, fazer sucesso – pensa a maioria. A vida mesmo vai ficando para depois, quando todas essas coisas tão mais importantes já estiverem equacionadas e resolvidas. O problema é que vida não entende essa linguagem de adiamento. “Oportuno” e “adequado” são palavras sem nenhum significado para o ritmo da vida. Vida é como sorvete debaixo de sol quente: – ou você toma na hora ou vai ficar chupando dedo. Vida é um negócio de “aqui” e “agora”, de extrema premência e necessidade.

Eu sempre achei muito engraçado as pessoas usarem esse verbo “sobreviver” em lugar de “viver”. Sobreviver significa continuar a viver depois que aconteceu algum sinistro grave, como um incêndio de grandes proporções ou a queda de um avião. Constatado que a pessoa não tem nenhuma ocorrência deste tipo em seu prontuário, conclui-se que a tragédia, da qual ela escapou ilesa (e porisso está condenada a viver) foi ter nascido…

A maior tragédia que pode acontecer a alguém é passar pela vida sem viver. Nenhuma justificativa justifica perder a chance de estar vivo, de existir, de experimentar cada momento – escasso e passageiro – que se tem neste mundo. Nem um grande negócio. Nem todo o dinheiro do mundo. Nem um sucesso de arrebentar a boca do balão. Viver a vida é o item básico na cesta básica de qualquer pessoa.

Pra encurtar conversa, já que essa ladainha pode ir muito longe: com a vida é assim, ou você faz agora, já, com os recursos que tem, ou esquece.”

por Geraldo Souza

domingo, 24 de abril de 2011

A fita métrica do amor


Como se mede uma pessoa? Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento. Ela é enorme pra você quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravado. É pequena pra você quando só pensa em si mesmo, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade.

Uma pessoa é gigante pra você quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto. É pequena quando desvia do assunto.

Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma. Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês.

Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas: será ela que mudou ou será que o amor é traiçoeiro nas suas medições? Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande. Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.

É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações. Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma. O egoísmo unifica os insignificantes.

Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande. É a sua sensibilidade sem tamanho.

Martha Medeiros

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O que eu desejo a você...




Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.

Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,

Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar

Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.

(Original de Victor Hugo adaptado por Vinícius de Morais)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A Despedida do Amor



Existem duas dores de amor:

A primeira é quando a relação termina e a gente, seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro, com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva, já que ainda estamos tão embrulhados na dor que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.

A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços, a dor de virar desimportante para o ser amado. Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida: a dor de abandonar o amor que sentíamos. A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também...

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou. Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém. É que, sem se darem conta, não querem se desprender. Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir, lembrança de uma época bonita que foi vivida... Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual a gente se apega. Faz parte de nós. Queremos, lógicamente, voltar a ser alegres e disponíveis, mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo, que de certa maneira entranhou-se na gente, e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível. Talvez, por isso, costuma durar mais do que a "dor-de-cotovelo" propriamente dita. É uma dor que nos confunde. Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos, que nos colocava dentro das estatísticas: "Eu amo, logo existo".

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente...

E só então a gente poderá amar, de novo.


Martha Medeiros

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

PRIMAVERA








A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.


Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.